14 fevereiro 2021

Sobre nós

Hoje, dia dos namorados, recebi de ti dois corações de papel, entrelaçados, com os nossos nomes e a data de hoje. Fez-me refletir em como somos felizes e nos completamos. Não sou de escrever sobre nós mas hoje é necessário, preciso de deixar escrito a sorte que tive, que tivemos os dois.


Foi um encontro casual, daqueles que só acontecem em filmes românticos, mas já passaram mais de vinte anos. Se de inicio foi intenso mas com algum receio do futuro, hoje é intenso e tranquilo.

Não carregamos o nosso passado, cada um tinha uma história de vida diferente que ficou parada no dia em que definitivamente nos juntamos, mas trouxemos a experiência e sabíamos o que não queríamos para nós.

Eu trouxe filhos que depois nos deram netos, netos nossos que nos amam de igual modo.

E assim passaram os anos, a pouco e pouco, trabalhando, passeando e amando em perfeita sintonia e cumplicidade. Fizemos conceções das nossas diferenças, respeitamos as nossas opiniões e unimo-nos no mesmo caminho.

A pandemia juntou-nos todas as horas do dia, retirou-nos as influências externas, muitas das comodidades a que estávamos habituados e quase toda a liberdade de sair, mas a vida mostrou-nos que continuávamos felizes e companheiros mesmo de um modo diferente.

Sentimos a falta dos afetos familiares, saudades de conviver com quem gostamos, das brincadeiras e abraços dos netos, isso sim, é díficil de aguentar, mas nós continuamos juntos e sobretudo com saúde.

E há quase um ano que estamos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto em perfeito e total convívio, em completa sintonia, com o respeito e alegria de nos termos um ao outro.

Sou grata ao Universo, muito grata.

13 fevereiro 2021

Da disciplina à rotina

Disciplina não é rotina.

Não gosto nada de rotinas e assim que me reformei um dos meus maiores contentamento foi mesmo a liberdade de horários e de obrigações programadas. 

No entanto, talvez pela vertente do yoga, sou pela disciplina e hábitos saudáveis e por isso tenho no meu dia algumas práticas diárias.

Uma delas é logo no inicio do dia. Durante cerca de uma hora faço alongamentos, algumas saudações ao Sol e posturas de força, termino com um pranayama completo. Na verdade não estou só, fazemos  tudo a dois.
Cantamos um mantra em sânscrito e estamos prontos para tomar um pequeno almoço.  


Depois de um jejum de catorze horas (o jantar termina pelas vinte e até às dez da manhã não comemos nada) o pequeno almoço tem de ser bem nutritivo. Faço de véspera um pote de leite vegetal com aveia, sementes e fruta que àquela hora sabe divinalmente.


O jejum que fazemos é apenas para dar o devido descanso ao intestino. É um órgão vital para o nosso bem estar e precisa de descanso.  

 A partir daí a disciplina continua apenas com horários certos para as refeições e para uma última sessão de yoga ou quinze minutos de elíptica antes de jantar.

Temos todo o resto do dia para escolher as atividades, que vão da escrita à leitura, bricolage, arrumações ou apenas relaxar na varanda numa boa conversa. 

Não tenho rotinas, não tenho pressões nem horários, tenho e sigo uma disciplina que me agrada muito.
Agrada aos dois.  Sempre a dois 😊

31 dezembro 2020

Nascer e renascer


No último dia do ano mais estranho das nossas vida é hora de refletir sobre ele e sobre tudo que nos ensinou.
Devemos interiorizar que por mais diferentes que achemos que somos, percebemos que afinal todos nós nos tornamos igualmente frágeis e vulneráveis a qualquer pandemia ou catástrofe que nos apareça. Que os bens materiais são completamente inúteis quando somos impedidos de os utilizar, que os bens maiores que temos são a saúde e a paz de espírito.
Quando perdemos algum dos nossos não remedeia pensar o que deveríamos ter feito, mas pensar o vamos fazer quando alguém se afastar, saber porque o fez e como o podemos ajudar.
Acreditarmos que as amizades devem ser sinceras, desprovidas de tudo para além de um sentimento verdadeiro, alimentadas continuamente e não termos medo de dizer o quando gostamos delas ou que do nada nos lembramos de perguntar se está tudo bem, se precisam de nós.
Este ano o universo afastou as famílias, os amigos e todas as pessoas fisicamente, então podemos perceber a falta que nos fazem os afetos, os abraços e que o melhor da vida é mesmo a Saúde e o Amor.
Que o 2021 nos traga tudo o que nos tirou este ano e não nos deixe esquecer o que realmente precisamos nas nossas vidas.

São os ensinamentos da vida, os ensinamentos da natureza que nasce e renasce no nada.

20 dezembro 2020

Herança

 

Não quero deixar joias nem cobres, não quero deixar notas nem títulos.
Na minha herança escolho deixar a sabedoria de uma vida, os ensinamentos aprendidos nas adversidades, os exemplos das escolhas que fiz, os frutos das conquistas colhidos ao longo dos anos, a gratidão e felicidade que sempre sinto pelos simples facto de poder viver.

Também foi esta a herança que recebi e que guardo no coração carinhosamente.

14 dezembro 2020

A "não" magia do Natal


O ano passado com uma foto idêntica escrevi um texto sobre a magia do Natal.
Este ano, este 2020 de pandemia e isolamentos, não encontro essa magia. Por mais luzes que se acedam ou bolas coloridas que se pendurem nada vai aquecer o coração das famílias.
Tenho duas opções para o celebrar:  ficar em casa protegida do contagio ou juntar a família com a preocupação de máscaras, distanciamentos e desinfeções.

Não há abraços nem beijos, a ceia não pode ser partilhada livremente e a simples troca de prendas será diferente.

Então  escolhi uma outra solução, escolhi esquecer este Natal, ignorar esta época do ano, não sentir sequer a magia.
Se não posso ter a família ao meu redor a deixar fluir sentimentos que nos envolvem sempre nesta noite de 24 de Dezembro, então nada mais importa.

Não há magia, não há Natal. 
Espero calmamente e com esperança que chegue o próximo.

08 novembro 2020

A minha tranquilidade



Nesta época díficil que atravessamos as notícias não são boas, mas há pessoas que teimam em desvalorizar a situação encontrando dados falsos e gráficos complicados para assustar ainda mais.

Interessante que com a divulgação de tudo o que é contra as medidas impostas para tentar travar a pandemia a única coisa que as pessoas conseguem é gastar energias, arranjar conflitos e demonstrar ignorância e desrespeito.

Desliguei-me um pouco da todo o bombardeio de informação e contra informação. Limito-me a ver um ou outro noticiário diário, ler as atualidades que me chegam ao telemóvel e pouco mais.
Sigo as regras que são impostas e aconselhadas com a sensação de serem as melhores.  Quem reclama, goza ou deturpa não tem soluções melhores, não tem soluções algumas.
Reclamam por não poder sair livremente, por usar máscara, por ter de desinfetar as mãos, reclamam da economia, reclamam apenas!

Assusto-me algumas vezes, tenho medos e preocupações, tenho alturas do dia complicados sim,  mas não lanço confusão e tento acalmar-me.

No meio da natureza sinto que me acalmo, o cheio e a frescura da vegetação levam as preocupações, o ar puro entra fundo nos pulmões, a companhia e as conversas com o Júlio são descontraídas e felizes.

Paramos para respirar, fazer posturas de yoga, fotografar, brincar e rir.
Lá sou feliz, estou tranquila e esqueço tudo por umas horas. 

28 outubro 2020

As minhas mudanças

Não foi de um dia ao outro, não foi propositado nem pensado, foi acontecendo. Pela idade ou pela evolução interior que tenho vindo a fazer ao longo dos anos, a verdade é que perdi a paciência para algumas coisas que fazia ou gostava.
Troquei a praia pelo campo, os burburinhos pelo silêncio, os ecrãs pelos livros e por aí a diante.

Antes da pandemia e do isolamento, dos vírus e contágios em que vivemos agora, já tinha notado que os meus gostos estavam a mudar, já não tinha pachorra para centros comerciais, esplanadas, praias cheias, trânsito em hora de ponta e coisas do género.

Gosto de estar em casa com as minhas invenções diárias de culinária, a minha horta de varanda, os meus livros e textos, gosto de escrever e ouvir musica, estudar os alimentos versus qualidade de vida.

Sair para ver alguma coisa que valha mesmo a pena, valorizar os amigos que são mesmo amigos 

Caminhar na serra, fazer yoga e fotografar pormenores por onde passo.
Até a fotografia se tornou seletiva, só mesmo o que me chama a atenção em meu redor. 

Acho que a minha vida está mais sossegada e simples. Mais tranquila e saudável.
Gosto mais dela assim. 

Coisas simples, coisas minhas...
Alguns dos meus hábitos, das minhas ideias e descobertas